Leia a entrevista a seguir com o historiador Stuart. B. Schwartz
feita pela historiadora Graça Almeida Borges.
GAB:Uma das suas preocupações no livro Segredos Internos, foi a
demografia da escravatura, apesar de não se ter fechado numa
perspectiva quantitativa. Teve a preocupação de abordar a
escravatura a partir de outros pontos de vista. Parece-me que um
dos ângulos de análise mais em falta hoje em dia no estudo da
escravatura e do tráfico de escravos é a sua dimensão mais
humana. Como lhe parece que poderá ser concretizada essa
abordagem? SBS:Esse é um dos problemas com que o historiador se confronta
permanentemente. É que os documentos não estão escritos para
os nossos fins, eram escritos para outros fins. Os registos
paroquiais, por exemplo, são muito interessantes para os
historiadores que fazem história social, mas os padres que
produziam esses registos tinham interesses completamente
diferentes. Então, temos que os ler com muito cuidado e um
pouco de criatividade. No meu livro sobre os engenhos na Bahia,
os registos paroquiais eram importantíssimos. Fiz um estudo
também sobre alforria e sobre compadrio, por exemplo, com
material muito interessante. O baptismo de um novo membro da
Igreja é um ato católico essencial, mas olhando para este ato com
uma determinada lente, vemos que os registos de baptismo,
documentos produzidos para os fins da Igreja na época colonial,
produzem muita informação social, demográfica e étnica. Acho
que a leitura dos documentos depende da habilidade do
historiador, da sua imaginação, mais do que do próprio conteúdo
do documento. O documento não diz nada por si mesmo, é a
pergunta que levamos ao documento que produz a informação
que procuramos no documento, é a pergunta do historiador que
faz o documento falar. A grande chave do sucesso do historiador
é a sua imaginação e criatividade.
Fonte: Borges, Graça Almeida. O historiador como língua do passado. Entrevista a
Stuart B. Schwartz, Ler História, n. 70, 2017, pp. 199-215.
Com base na entrevista, assinale a afirmativa que descreve
corretamente as possibilidades do uso de fontes para revelar as
dimensões humanas do tema da escravidão no Brasil.
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