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#3238129

“Apesar do multiculturalismo estar atualmente em foco em nossa sociedade, especialmente na educação, não há, nem de longe, discussões práticas suficientes acerca de como o contexto da sala de aula pode ser transformado de modo a fazer do aprendizado uma experiência de inclusão. Para que o esforço de respeitar e honrar a realidade social e a experiência de grupos não brancos possa se refletir num processo pedagógico, nós, como professores - em todos os níveis, do ensino fundamental à universidade -, temos de reconhecer que nosso estilo de ensino tem de mudar. Vamos encarar a realidade: a maioria de nós frequentamos escolas onde o estilo de ensino refletia a noção de uma única norma de pensamento e experiência, a qual éramos encorajados a crer que fosse universal. Isso vale tanto para os professores não brancos quanto para os brancos. A maioria de nós aprendemos a ensinar imitando esse modelo. Como consequência, muitos professores se perturbam com as implicações políticas de uma educação multicultural, pois têm medo de perder o controle da turma caso não haja um modo único de abordar um tema, mas sim modos múltiplos e referências múltiplas.”
(HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. p. 51)

Tendo como referência a reflexão da autora sobre os desafios impostos ao professor pelo contexto de sala de aula, um professor de História que pretenda romper com práticas sedimentadas no tempo deve

  • propor uma abordagem do conhecimento histórico fundamentada na defesa da neutralidade científica e objetividade do conhecimento histórico.
  • criar um ambiente de trabalho que evite o tratamento de temas sensíveis que possam gerar um ambiente de conflitos avesso ao trabalho pedagógico.
  • propor uma abordagem historiográfica que exclua conteúdos relacionados às experiências de vida social dos alunos em seu tempo presente.
  • incluir no programa de História temas e questões relacionadas ao debate antirracista e aos direitos dos povos originários.
  • propor uma abordagem historiográfica que enfatize as datas cívicas como caminho válido para a construção da coesão do grupo.
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