A carga de doenças atribuíveis aos distúrbios mentais
nas Américas é alta e crescente. Transtornos mentais,
neurológicos e por uso de substâncias são responsáveis por mais de um terço dos anos vividos com
incapacidade e quase um quinto de todos os anos
de vida ajustados por incapacidade na região. Entre
2000 e 2019, a taxa de mortalidade por tais transtornos aumentou em 89% e a taxa de anos vividos
com incapacidade aumentou em 10%. Os distúrbios
mentais também se configuram como fatores de risco
para o suicídio, que por si só levou 100 mil vidas na
região no ano 2021. De modo desconcertante, a taxa
de suicídio aumentou em 17% entre 2000 e 2021 nas
Américas, que foi a única das regiões delineadas pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) a experimentar
um aumento neste período. A pandemia de COVID19 agravou ainda mais a situação da saúde mental,
ampliando os fatores de risco conhecidos para os distúrbios mentais, como isolamento social, desemprego,
pobreza e violência, e interrompendo os já frágeis
sistemas e serviços de saúde mental. No ano 2020, os
transtornos depressivos maiores e os transtornos de
ansiedade aumentaram em aproximadamente 35% e
32%, respectivamente, na América Latina e no Caribe
devido à pandemia.