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#2390164
Texto da Questão:

Um homem leal (fragmento)


Apaguemos a lanterna de Diógenes: achei um homem. Não é príncipe, nem eclesiástico, nem filósofo, não pintou uma grande tela, não escreveu um belo livro, não descobriu nenhuma lei científica. (...)

Não, o homem que achei não é nada disso. É um barbeiro, mas tal barbeiro que, sendo barbeiro, não é exatamente barbeiro. Perdoai a logomaquia; o estilo ressente-se da exaltação da minha alma. Achei um homem. Se aquele cínico Diógenes pode ouvir, do lugar onde está, as vozes cá de cima, deve cobrir-se de vergonha e tristeza; achei um homem. E importa notar que não andei atrás dele. Estava em casa muito sossegado, com os olhos nos jornais e o pensamento nas estrelas, quando um pequenino anúncio me deu rebate ao pensamento, e este desceu mais rápido que o raio até o papel. Então li isto: “Vende-se uma casa de barbeiro fora da cidade, o ponto é bom e o capital diminuto; o dono vende por não entender...”

Eis aí o homem. Não lhe ponho o nome, por não vir no anúncio, mas a própria falta dele faz crescer a pessoa. O ato sobra. Essa nobre confissão de ignorância é um modelo único de lealdade, de veracidade, de humanidade. (...)


Crônica - A Semana - 1896 - 26 de julho [188] - página 717. MACHADO DE ASSIS - OBRAS COMPLETAS - VOLUME III Companhia José Aguilar Editora, Rio de Janeiro, 1973.


(logomaquia - discussão acerca do sentido ou origem de uma palavra)

O autor admira e elogia no homem do anúncio o fato de ele

  • vender a barbearia a outra pessoa mais necessitada.
  • exercer honestamente a profissão de barbeiro.
  • vender a barbearia por não gostar do ofício.
  • confessar que não entendia do ofício.
  • não querer mais trabalhar em nenhum ofício.
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