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#2287987
Texto da Questão:

                                     [Desconfiar para criar]


      Atenção, escritores: desconfiar da observação direta. Um romancista de lápis em punho no meio da vida – esse acaba fazendo apenas reportagens.

      Melhor esperar que a poeira baixe, que as águas resserenem, deixar tudo à deriva da memória. Porque a memória escolhe, recria.

      Quanto ao poeta, este nunca se lembra, propriamente; inventa.

      E por isso é que ele fica muito mais perto da verdadeira realidade.

(Adaptado de: QUINTANA, Mário. Na volta da esquina. Porto Alegre: Editora Globo, 1979, p. 89) 

Ao afirmar que um escritor deve desconfiar da observação direta, o cronista e poeta Mário Quintana mostra-se convicto de que

  • o discurso da ficção e a linguagem da reportagem podem influenciar-se reciprocamente, para ganho de ambas.
  • a linguagem da imaginação e a da invenção de um escritor não se confundem com a de uma simples reportagem.
  • um romancista não pode nem deve confiar em seus olhos ou em suas experiências mais pessoais.
  • um romancista pode conseguir expressar, melhor do que um poeta, sua análise da realidade que fotografa.
  • a desconfiança quanto ao poder expressivo das palavras estimula um escritor a produzir com qualidade crescente.
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