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#2089482
Texto da Questão:

Eduardo Coutinho, artista generoso


      Uma das coisas mais bonitas e importantes da arte do cineasta Eduardo Coutinho, mestre dos documentários, morto em 2014, está em sua recusa aos paradigmas que atropelam nossa visão de mundo. Em vez de contemplar a distância grupos, classes ou segmentos, ele vê de perto pessoa por pessoa, surpreendendo-a, surpreendendo-se, surpreendendo-nos. Não lhe dizem nada expressões coletivistas como “os moradores do Edifício”, os “peões de fábrica”, “os sertanejos nordestinos”: os famigerados “tipos sociais”, usualmente enquadrados por chavões, dão lugar ao desafio de tomar o depoimento vivo de quem ocupa aquela quitinete, de investigar a fisionomia desse operário que está falando, de repercutir as palavras e os silêncios do morador de um povoado da Paraíba.

      Essa dimensão ética de discernimento e respeito pela condição singular do outro deveria ser o primeiro passo de toda política. Nem paternalismo, nem admiração prévia, nem sentimentalismo: Coutinho vê e ouve, sabendo ver e ouvir, para conhecer a história de cada um como um processo sensível e inacabado, não para ajustar ou comprovar conceitos. Sua obsessão pela cena da vida é similar à que tem pela arte, o que torna quase impossível, para ele, distinguir uma da outra, opor personagem a pessoa, contrapor fato a perspectiva do fato. Fazendo dessa obsessão um eixo de sua trajetória, Coutinho viveu como um homem/artista crítico para quem já existe arte encarnada no corpo e suspensa no espírito do outro: fixa a câmera, abre os olhos e os ouvidos, apresenta-se, mostra-se, mostra-o, mostra-nos.


                                                                                                         (Armindo Post, inédito

Está plenamente adequado o emprego de ambos os elementos sublinhados na seguinte frase:

  • A perspectiva éticaaondeCoutinho manifesta todo o respeito pela pessoa que retrata é uma das característicasnas quaisseus filmes se distinguem.
  • O paternalismo e o sentimentalismo, posiçõesdas quaismuitos se agarram para tratar o outro, não são atitudespor ondeCoutinho tenha mostrado qualquer inclinação.
  • As expressões coletivistas,com cujasCoutinho jamais se entusiasmou, são chavõesem quese deixam impressionar as pessoas de julgamento mais apressado.
  • As pessoaspor quemCoutinho se interessasse eram retratadas de modo a ter destacados os atributospelos quaisele se deixara atrair.
  • Os paradigmas já mecanizados,nos quaismuitos se deixam nortear, não mereciam de Coutinho nenhum crédito, pois só lhe importava a singularidadede cujaas pessoas são portadoras.
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