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#2367919
Texto da Questão:

      As artes plásticas apresentam-se a nós no espaço: recebemos uma impressão global antes de detectar os detalhes, pouco a pouco e em nosso ritmo próprio. A música, porém, baseia-se numa sucessão temporal, e exige uma memória alerta. Sendo assim, a música é uma arte cronológica, assim como a pintura é uma arte espacial. A música pressupõe, antes de tudo, certa organização do tempo, uma crononomia, se me permitem esse neologismo.

      As leis que regulam o movimento dos sons exigem a presença de um valor mensurável e constante: a métrica, elemento puramente material, através do qual o ritmo, elemento puramente formal, se realiza. Em outras palavras, a métrica resolve a questão de em quantas partes iguais será dividida a unidade musical que denominamos compasso, enquanto o ritmo resolve a questão de como essas partes iguais serão agrupadas dentro de um determinado compasso. [...]

      Vemos portanto que a métrica – já que intrinsecamente oferece apenas elementos de simetria, sendo inevitavelmente composta de quantidades iguais – é necessariamente utilizada pelo ritmo, cuja função é estabelecer a ordem no movimento dividindo as quantidades fornecidas pelo compasso.


(Fragmento extraído de Igor Stravinsky. Poética musical. Trad. Luiz Paulo Horta. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1996. p.35)

A frase redigida inteiramente de acordo com as normas de concordância verbal e nominal está em:

  • A diferença fundamental entre as artes plásticas e a música, a que se refere Stravinsky, não implica a inexistência de afinidades entre as duas formas de expressão, como o sugere o título de uma composição de outro compositor russo, “Quadros de uma exposição”.
  • Com todas as diferenças existentes entre a música e as artes plásticas, não há como imaginar músicos, qualquer que seja o estilo, indiferente à pintura, e pintores, de qualquer época, que não tenha se encantado com a música.
  • Não devem haver muitos compositores que, como Stravinsky, aliam a genialidade na criação musical ao talento para falar sobre a música, de modo a se fazer entendido até mesmo por quem nada entende de ritmo e compasso.
  • A menção de Stravinsky às leis a que se submetem o movimento dos sons só podem surpreender aqueles que ingenuamente acreditam na suficiência do espontaneísmo e da inspiração na criação musical.
  • Nem mesmo um campo tão estruturado como a música, sobre a qual tem sido escritos tantos tratados, por um sem-número de diferentes teóricos, podem dispensar um neologismo, como aquele que Stravinsky propõe.
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