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#2367888
Texto da Questão:

      [Joaquim] Nabuco sentiu que, sendo produtor de riqueza, e portanto esteio da sociedade, o escravo era um trabalhador submetido à espoliação máxima; e que os interesses da oligarquia levavam não apenas a querer manter o regime escravista, mas a transformá-lo numa espécie de modelo permanente do trabalho. Esta verdadeira descoberta levou-o a sentir que os projetos de imigração, sobretudo chinesa, ou os de recrutamento do homem livre para trabalho rural a prazo fixo, eram manifestações de uma mentalidade que procurava extrapolar o sistema escravista e estender as suas características a todo trabalhador, considerado como máquina humana à disposição integral do senhor, ou do patrão.

      Ele viu que, sendo a massa produtora, o trabalhador escravo era o grosso do povo, e portanto tinha direito de atuar na vida política. Ora, este direito lhe era negado não só porque ele estava excluído da cidadania, mas porque mesmo o trabalhador livre, portanto um cidadão, ficava excluído do voto pelos requisitos censitários, que restringiam ao máximo o alistamento eleitoral. Segundo Nabuco, o trabalhador não era nada, mas deveria ser tudo no futuro.

      Essa visão lúcida e avançada correspondia a uma concepção realista da sociedade brasileira, que era então composta na maioria de negros e mestiços, isto é, escravos, antigos escravos, descendentes totais ou parciais de escravos.


(Fragmento extraído de Antonio Candido. Radicalismos. Vários escritos. 3.ed. S.Paulo: Duas Cidades, 1995. p.271-2) 

Segundo Antonio Candido, Joaquim Nabuco considerava que

  • o trabalho do imigrante e do homem livre, em função da maior produtividade em relação ao trabalho escravo, conduzia ao fim da propriedade baseada no sistema escravista.
  • a oligarquia objetivava estender ao trabalhador livre, proveniente dos projetos de imigração ou recrutado para trabalho a prazo fixo, a exploração desumana a que os escravos eram submetidos.
  • as restrições impostas aos escravos quanto à participação na vida política justificavam-se plenamente na medida em que nem mesmo os trabalhadores livres podiam votar.
  • a própria oligarquia já havia defendido o fim do trabalho escravo, que deveria ser substituído pelo trabalho de homens livres, a quem seriam franqueados todos os direitos políticos.
  • a superação das condições desumanas a que era submetido o escravo somente poderia se dar com a imigração de trabalhadores de outros países ou o recrutamento dos homens livres no Brasil.
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