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#2564663
Texto da Questão:

Leia um trecho do poema de Fernando Pessoa a seguir e responda à questão:


Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
[…]
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
[…]
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Assinale a interpretação mais adequada ao sentido geral da queixa apresentada pelo poeta.

  • As pessoas não têm defeitos, por isso a humanidade sempre alcança níveis de sucesso, bem-estar e prosperidade.
  • Embora as pessoas tenham fraquezas, elas tendem a não falar sobre isso, escondendo, muitas vezes, quem de fato são.
  • A humanidade tem problemas demais para se dedicar à leitura de poemas, literatura, artes em geral.
  • Ser poeta é ser humano: ser consciente de toda a beleza que há na criação, reconhecendo que não há defeitos na existência.
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