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#2616334

Texto para a questão 1:


O apanhador de desperdícios


Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.

(Manoel de Barros)


Nesse texto, o poeta se considera um “apanhador de desperdícios”, porque:

  • O seu fazer poético não contém a intenção de informar, mas de fazer versos rimados.
  • Escreve a partir de palavras que não fazem parte do repertório da língua portuguesa.
  • Seu objetivo é escrever sobre o seu quintal, inventando palavras e desperdiçando a informática.
  • Escolhe as palavras pela simplicidade, sem interesse pela formalidade do vocabulário.
  • Nenhuma das alternativas anteriores.
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