“O candomblé seria nesse sentido um sistema totêmico clássico (...) onde uma homologia é
postulada entre um sistema de diferenças culturais e uma outra situada na natureza. Sua
especificidade (...) é que (...) o sistema seria distendido até atingir as próprias diferenças
interindividuais, na medida em que, sabe-se, para além do “orixá geral” comum a um grupo de
indivíduos, cada pessoa é pensada como “filha” de uma divindade única, divindade esta que é
sempre uma “qualidade” específica do orixá geral”. (GOLDMAN, Márcio. A Possessão e a Construção Ritual da Pessoa no Candomblé. Dissertação de Mestrado
(Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social), Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, 1984, pp. 162-163. Este trecho da dissertação de mestrado do antropólogo Márcio Goldman aborda a relação entre
os orixás e seus filhos no Candomblé, na linha da construção antropológica da noção de pessoa.
Segundo o estudo clássico de Marcel Mauss, a formação da noção de “pessoa/eu”, enquanto
categoria do espírito humano,
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