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Leia o relato de um funeral africano feito pelo historiador João Reis:
“Durante o concorrido velório daquele aristocrata africano, o morto foi visitado por delegações de diversas outras nações da África representadas na corte carioca. Reinava um clima de festa, com dança acompanhada por palmas e percussão africanas”.
REIS, João. O cotidiano da morte no Brasil oitocentista. In: ALENCASTRO, Luiz Felipe de; NOVAIS, Fernando A. (Org.). História da vida privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, v. 2, p. 121.

Esse relato de uma prática cotidiana na ordem escravocrata revela que

  • as cerimônias fúnebres de reis e imperadores africanos eram corriqueiras, demonstrando a hegemonia da nação Nagô, a que havia chegado ao Brasil e se estabelecido na Bahia há mais tempo.
  • os ex-escravos também tinham direito a um funeral pomposo como um aristocrata africano, desde que pertencessem a uma irmandade, especialmente a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
  • persistiam, na comunidade africana do Brasil, hierarquias políticas e religiosas que se expressavam em vários momentos, como por ocasião de um funeral de um aristocrata africano.
  • o funeral pomposo de um aristocrata ou sacerdote africano ocorria somente na corte do Rio de Janeiro, por ser uma prática respeitada e admirada pela nobreza imperial e pelos homens letrados da corte.
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