Ninguém se cura permanecendo no mesmo ambiente em
que adoeceu
Marcel Camargo
Ninguém se cura sem cortar a causa do mal, sem se privar do
que machuca e contamina sua felicidade, sem evitar ficar junto
de quem não faz nada mais do que sofrer. A gente adoece por
várias razões, tanto físicas quanto psicológicas. O mesmo se dá
com os tipos de doenças: existem males do corpo e males da
alma. Mente e corpo são indissociáveis, assim como na
Antiguidade já se ensinava, ou seja, temos que cuidar de tudo
o que nos constitui, por dentro e por fora. De nada adianta um
corpo perfeito habitado por uma alma sucateada, e vice-versa.
Infelizmente, é difícil atentarmos para essa necessidade de
equilibrarmos o que vem de fora e o que nasce aqui dentro, o
que o espelho reflete e o que não, o que fazemos com nosso
corpo e o que fazem com nossa alma. O mundo todo
supervaloriza as aparências, o que dificulta a atenção que deve
ser voltada ao que sentimos, ao que nos faz bem. Sabemos
muito bem qual roupa queremos vestir, mas é complicado saber
o que acelera o nosso coração.
Talvez ninguém consiga se livrar da infelicidade que toma conta
de si, caso permaneça parado, sem sair do lugar. Aquilo que
nos adoece deve ser evitado, seja o vento gelado, seja o
tratamento frio do outro. Ser descuidado com a saúde adoece,
ser descuidado com os sentimentos também. Práticas
saudáveis incluem tanto atividades físicas quanto exercitar o
amor próprio. Alimentar o corpo e a alma, sempre.
Ninguém há de ser feliz permanecendo em histórias cujo final
não tem chance de ser feliz. Ninguém se cura sem cortar a
causa do mal, sem se privar do que machuca e contamina sua
felicidade, sem evitar ficar junto de quem não faz nada mais do
que sofrer. Ninguém volta a sorrir nos lugares onde sua
felicidade foi perdida, roubada, aviltada, negada.
Entender que as dores e doenças são alertas que nos pedem
calma, que nos clamam por um repensar, por um respirar, por
sobrevivência, acaba nos encorajando a tomar as atitudes
certas, por mais que doam, que entristeçam, que pareçam
impossíveis. Nada é impossível, quando ainda há sonhos a
serem alcançados e vida dentro da gente. Caso não
consigamos cair fora do que nos adoece, então morrerão os
sonhos, morrerão os planos, morreremos nós, ainda que com
vida. Ainda que por muitos dias. Por anos…
No trecho “Caso não consigamos cair fora do que nos
adoece, então morrerão os sonhos, morrerão os planos,
morreremos nós, ainda que com vida”, considerando os
aspectos de coesão e de coerência textuais nos conectivos
destacados, podemos considerar que há, respectivamente,
os sentidos de
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