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#2790983
Texto da Questão:

                                     Autoritarismo benigno

      SÃO PAULO – O título não esconde as intenções da autora: “Contra a Autonomia – Justificando o Paternalismo Coercitivo”. A obra da filósofa Sarah Conly, disponível só em inglês, bate de frente com o virtual consenso de que as escolhas das pessoas devem ser respeitadas. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, não é um texto irremediavelmente autoritário. Embora Conly defenda a proibição do fumo, ela é simpática à legalização da maconha.
      O ponto central da autora, que pretende refutar os argumentos libertários de John Stuart Mill, é o de que a psicologia reuniu uma catarata de evidências que provam que o ser humano é “intratavelmente irracional” e que isso não pode ser consertado por campanhas educativas.
      Não é tanto que não saibamos o que queremos. A maioria de nós não tem dúvida de que deseja manter a saúde, guardar dinheiro para a aposentadoria etc.. A questão é que, devido a uma série de vieses cognitivos, fracassamos miseravelmente em seguir uma estratégia para chegar a esses fins. É só sob essas circunstâncias, diz Conly, que o paternalismo deve entrar para dar uma mãozinha.
      Até aqui eu acompanho os raciocínios da autora. Ela não me convenceu, entretanto, de que o paternalismo coercitivo, isto é, imposto por meio de normas restritivas, é superior ao paternalismo libertário proposto por Richard Thaler e Cass Sunstein, em que o poder público tenta induzir o cidadão a fazer as melhores escolhas, sem, contudo, obrigá-lo a elas.
      Minha impressão é que Conly não considerou como deveria o problema da informação incompleta que, em alguma medida, afeta todas as éticas consequencialistas. Nós simplesmente não temos como calcular o valor subjetivo que o fumante atribui a suas baforadas para proclamar que elas valem menos que a sua saúde.
      O livro de Conly é bom e nos faz pensar, mas continuo com Mill: “Sobre si mesmo, o seu corpo e sua mente, o indivíduo é soberano”. 

 

                                                                                                SCHWARTSMAN, H. Folha de S. Paulo
                                                                                                                São Paulo, p. A2, 17 mar. 2013.


Considerando o 1º parágrafo do texto e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade-padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.

  • No trecho: “bate de frente com ovirtual consenso”, a expressão destacada poderia ser substituída por “vai ao encontro do”, sem que isso prejudicasse a organização da frase ou o sentido original do texto.
  • O último período desse parágrafo (“Embora Conly [...]”) contrapõe-se ao penúltimo, de modo que poderia ser introduzido por um conectivo de oposição, como “no entanto” ou “entretanto”.
  • O trecho “devem ser respeitadas as escolhas das pessoas” poderia ser substituído por “deve haver respeito as escolhas das pessoas”, que não possui nenhum desvio às regras gramaticais e mantém o mesmo sentido do trecho original.
  • O trecho “ela é simpática à legalização da maconha” poderia ser substituído por “ela simpatiza com a legalização da maconha”, que não possui nenhum desvio às regras gramaticais e mantém o mesmo sentido do trecho original.
  • A conjunção “mas”, no início do 3º período, tem valor adversativo, portanto poderia ser substituída por “ainda que”, sem que fossem necessárias outras alterações para a manutenção do sentido e da correção gramatical da frase.
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