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#3490261

Leia o poema de Cláudio Manoel da Costa.

Que inflexível se mostra, que constante
Se vê este penhasco! já ferido
Do proceloso vento, e já batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!

Não vi; nem hei de ver mais semelhante
Retrato dessa ingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer, que enternecido
Seu peito atenda às queixas de um amante.

Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
Há de ceder aos golpes algum dia:

Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.

Publicado no livro Obras (1768). In: COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. Introd. cronol. e bibliogr. Antônio Soares Amora. Lisboa: Bertrand, 1959. (Obras primas da Língua Portuguesa)

Marque a alternativa que analisa corretamente o poema.

  • A palavra “fereza” significa “tenacidade” qualificando o rochedo. É uma representação da mulher que o eu lírico ama, o qual a considera como ingrata.
  • O poema apresenta uma paisagem amena, tranquila e bela, de acordo com a tradição árcade em contraste com a paisagem hostil e desarmônica do Romantismo.
  • O poema é considerado como um soneto e é construído a partir das semelhanças entre a paisagem observada pelo eu lírico e as atitudes da mulher amada.
  • A amada do eu lírico apresenta características das mulheres da terceira fase do Romantismo, as quais não cedem aos apelos do rapaz que as cortejam.
  • O eu lírico mostra-se esperançoso no fim do poema acreditando que, um dia, a amada irá ceder às suas investidas e finalmente amá-los como deseja.
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