SURPRESA NA ENTRADA DA ALDEIA
Retornando à Reserva Indígena de Jaqueira, no
extremo sul da Bahia, a turista Tânia Mara Scavello
disse ter se surpreendido, já na portaria, ao ver a placa
indicativa de aceitação de cartões de crédito. Essa
é a reação mais comum de quem procura a reserva
para comprar artesanato, de acordo com o índio pataxó
Juraci, vice-presidente da Associação Pataxó de
Ecoturismo.
– Há tantos lugares que não aceitam, e aqui já
estão se modernizando – disse Tânia, cliente do índio
Camaiurá, que foi à reserva com o marido, o italiano
Mário Scavello, para levar um casal de amigos.
Scavello considera positiva a implantação do sistema
na aldeia:
– Eles já sobrevivem da tradição, está certo desfrutarem
um pouco da tecnologia para ganhar dinheiro.
Para o casal de turistas paulistas, Fabrício Lisboa
e Camila Rodrigues, pela primeira vez na reserva, a
disponibilidade do sistema também surpreendeu:
– Fiquei surpresa pelo fato de estar numa aldeia
e ter o privilégio de poder contar com a modernização
– disse Camila, que comprou peças do índio Aponen.
Implantado há mais de um mês, o cartão impulsionou
as vendas locais.
– Outro dia, veio um turista e separou um monte
de artesanato. Só levou tudo porque aceitamos cartão.
Eles andam com pouco dinheiro. – contou a índia
Mitynawã.
As peças de artesanato, produzidas com sementes
e coco, variam de R$ 5 a R$ 15. Outra fonte de
renda é o valor do ingresso, que custa R$ 35:
– Não somos assalariados, todo mundo é voluntário.
A venda do artesanato é uma alternativa de sobrevivência,
pois não caçamos mais, e a implantação
do cartão colabora para o aumento da nossa renda.
O Globo, 26 ago. 2008. (Adaptado)