Dois compassos mudos, desenhados com a batuta do maestro, antecedem o primeiro ataque. Então, o ar, inspirado profundamente,
é liberado de uma só vez, e a expiração vira som. Sopro que perpassa oboés, flautas, clarinetes… Impulso que faz deslizar a
crina sobre as cordas de violinos, violas, cellos… Um e dois, e um e dois, e… O ritmo inescapável, estranhamente, suspende a
temporalidade ditada por relógios e calendários. Durante os 30 compassos, esqueceremos os minutos, horas, dias. Agora há
pouco, alguém desejou “merda!”. Poderia ter dito “boa sorte”, mas sabe que essas são palavras indizíveis na coxia do teatro. Um
e dois, e um e dois, e… O maestro sorri. Fortíssimo: sol, dóooo. Aplausos. Teatro cheio. Nos olhamos. Todos sorriem. Vontade
de rir. Felicidade. HIKIJI, R. S. G. A etnografia da performance instrumental. Horizontes Antropológicos, n. 24, jul.-dez. 2005.
A performance pode ser um locus de apresentação do que foi aprendido, ensaiado, assimilado ao longo do processo pedagógico do
ensino de música, seja ele na Educação Básica ou em outros espaços de aprendizagem musical. Qual alternativa apresenta aspectos
da formação humana que podem ser trabalhados em um projeto de prática instrumental coletiva?
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