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#2243029

A historiadora Lynn Hunt, em História da Vida Privada: da Revolução Francesa à primeira Guerra Mundial (2001), afirma que, durante a Revolução Francesa, as fronteiras entre a vida privada e vida pública apresentaram grandes flutuações, tendo o espírito público invadido as esferas habitualmente privadas da vida, fazendo essa última sofrer a mais dura agressão da história ocidental.
Como se observa no texto, os revolucionários da França do século XVIII empenharam-se em traçar a diferença entre as dimensões do público e as do privado. Essa diferença é bem observada na

  • obrigatoriedade de os franceses identificarem-se com um partido político, pois a não identificação era concebida como sinônimo de conspiração, equivalente a sedicioso e à disposição para traição dos ideais revolucionários de nação.
  • concepção de que os salões e as reuniões de grupos políticos poderiam contribuir na expansão dos ideais revolucionários, devendo eles serem preservados com essa finalidade.
  • ideia de que, embora os interesses privados não devessem ter representação na arena política, as atitudes privadas e as virtudes públicas guardavam uma estreita ligação, politizando, assim, a vida privada.
  • qualidade da vida pública, expressa pelo indivíduo na transparência dos seus corações, identificada, por exemplo, na preocupação com o vestuário que passou a assumir um significado político de honra, dos usos e das conveniências.
  • autorização dada pela Convenção às pessoas de qualquer sexo para vestir-se como desejassem, apoiando as decisões femininas de abandonar o vestuário que as qualificavam como representantes do espaço privado.
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