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  • Órgãos: TRT - 19ª Região (AL)
Foram encontradas 827 questões.
#1779018
Texto da Questão:

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Flores

     Minha terra, o Recife, é fraca de flores, de maneira que as poucas que nascem são guardadas para os enterros – minha terra é forte de enterros. Ninguém fazia essa coisa romântica de dar uma rosa à namorada ou despertar a mulher bonita (que se viu na véspera, pela primeira vez) com uma caixa de orquídeas e aquele cartão astucioso, dizedor de poucas e boas palavras. Passei anos, já no Rio, associando cheiro de flor aos muitos enterros da minha família.
     Meus tios, meu pai, minha irmã de olhos azuis, à medida que Deus chamava, eles iam e o cheiro da sala onde a gente chorava me acompanhou até meses atrás. Cheiro úmido, abafado, de flores de uma cidade que se chama Garanhuns, depois de umas dez horas de trem da Great Western. Devo mesmo confessar uma certa malquerença por tudo que era flor fora do talo – sentia nelas uma espécie de cumplicidade nos enterros que saíram da minha casa.
      Mas com o tempo fui me habituando à presença e ao perfume das flores. As tristes lembranças não resistiram aos caminhos de Teresópolis, tampouco às quaresmeiras, que têm sido tantas, neste verão de passeios compridos. Agora mesmo a empregada mudou as rosas do jarro do escritório. São cheirosas. Eu olho para trás e não morreu ninguém.

(Adaptado de: MARIA, Antônio. Vento vadio. As crônicas de Antônio Maria. Org. de Guilherme Tauil. São Paulo: Todavia, 2021, p. 317)

É marcante, no segundo parágrafo do texto, 

  • a associação há muito estabelecida entre a fragrância das flores e as sensações e sentimentos fúnebres por ela despertados.
  • a imaginação delirante a que se entregava o autor, quando de suas primeiras experiências com as flores nos canteiros.
  • o desagrado do autor quando, ainda menino, constatava que as pessoas passavam a amar as flores só depois de cortadas.
  • a convicção que tem o autor sobre a propriedade natural das flores e a função primordial que se deve a elas atribuir.
  • o ressentimento que o autor guardou de seus primeiros contatos com as flores por o impedirem de admirá-las em sua beleza.
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