Enquanto dormia, a dentadura saiu do vaso tranquilamente e caminhou até a cozinha onde comeu todo o bolo. Voltou, pé ante pé, e viu o dono dormindo na santa paz do Senhor. Como resistir à passiva situação de permanecer, há tanto tempo, mergulhada em água azul de tão estranhos odores? Resolveu ter vida própria. Somente à noite, pois demasiado era o trabalho na boca do Sr. Pirandelo durante o dia. Para obtenção desse privilégio usou de uma série de recursos. O mais brilhante resume- se no seguinte: comprimir as gengivas do velho de uma forma terrível, todos os dias após o jantar.
Péricles Prade
“A dentadura, sempre dentro do vaso enquanto seu dono dormia..."
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