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#3174576
Texto da Questão:

Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2

Entrada

Manoel de Barros

Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: o dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias em meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens em minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada, mas vou copiar alguns desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os impossíveis verossímeis do mestre Aristóteles. Dou quatro exemplos: 1) É nos loucos que grassam os luarais; 2) Eu queria crescer para passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas, se o nada desaparecer, a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.


BARROS, Manoel. Poesia Completa. Leya: São Paulo, 2010, p. 07.

Manoel de Barros recorre, em seu texto, à expressão ‘tipo assim’, que evidencia

  • uma inadequação linguística, típica da manifestação da oralidade de jovens.
  • uma expressão que apresenta uma explicação, seguida pelo uso de dois pontos.
  • um neologismo, por introduzir vocábulos desconhecidos do leitor de poesia.
  • um elemento coesivo que estabelece o encadeamento do fluxo narrativo no texto.
  • uma remissão às metáforas visuais utilizadas nos efeitos de sentido do poema.
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