Busquemos apoio legal, registremos ocorrências,
mas jamais deixemos nossos filhos sem amparo
Bebel Soares | 09/02/2025
O texto de hoje não é meu, é de uma mãe
que vem lutando pelo direito de sua filha frequentar
a escola. Renata Zarnowski é uma mãe que, como
toda mãe de criança neurodivergente, é incapaz de
permanecer em silêncio diante dessa luta incessante.
“Após sair do Conselho Tutelar, me vejo
obrigada a expor a realidade dos últimos anos.
Luiza, diagnosticada com autismo, é também
superdotada e tem transtorno do déficit de atenção
com hiperatividade (TDAH), o que torna sua
experiência escolar ainda mais desafiadora.
Buscamos uma escola que prometia um
método de ensino voltado a projetos e aulas sem
tantas formalidades, mas logo se revelou um
pesadelo. A aparência de flexibilidade se desfez
diante da falta de preparação da escola para lidar
com a individualidade da minha filha. Desde
repreensões pelo vestuário até a indiferença com
suas necessidades sensoriais, tudo contribuiu para
um crescente isolamento. Mesmo com pareceres de
especialistas que respaldavam minha presença na
sala para auxiliá-la, as portas continuaram fechadas.
A barreira ergueu-se ainda mais com a gestão
escolar, que nos via mais como problema do que
como uma família em busca de inclusão.
A situação se agravou em 2024; Luiza foi
alvo de bullying. O apelido de ‘turista’ evoluiu para
grosserias intoleráveis - provou-se ser mais que um
simples problema social. Tentamos apoiá-la com
chamadas de celular, a única ponte entre a
segurança emocional dela e o ambiente
OSTIL/HOSTIL que se tornou a escola. No
entanto, até mesmo esse frágil apoio foi visto com
desdém pela instituição. Os momentos vieram
acompanhados de lágrimas e resistência, um quadro
insustentável que CULMINOU/CUMINOU na
ausência total de Luiza nas aulas.
Diante disso, nossa busca foi por justiça e
amparo, um clamor que compartilho agora com
cada pai e mãe que se sente impotente diante de
instituições que falham em sua responsabilidade. O
bullying que Luiza enfrentou não deve ser calado ou
minimizado. É crime e deve ser tratado como tal1
.
Ao perceber a criação de contas falsas online para
prejudicá-la, vi claramente que, para alguns, o
bullying continua sendo ‘só’ mais um
‘comportamento infantil’, tratado com conversas que não envolveram os pais do agressor, sem
medidas drásticas para algo que, comprovadamente,
incita suicídios e depressões.
Sejamos ALDACIOSOS/AUDACIOSOS.
Busquemos apoio legal, registremos ocorrências,
mas jamais deixemos nossos filhos sem amparo2
.
São eles que construirão seu futuro em meio às
dificuldades e são DIGNOS/DÍGUINOS de
ambientes que os respeitem e os compreendam.
Devemos exigir que instituições educativas vejam
além das métricas e se comprometam genuinamente
com a inclusão de todos, não apenas quando é
conveniente ou lucrativo.
Se há algo que quero deixar como legado
nessa batalha, é que nunca desistirei de lutar pela
Luiza. Que outros pais se juntem a essa luta, não
apenas pelo nosso direito, mas para construir um
futuro em que toda criança possa ser aceita por
quem realmente é, única eINSUBSTITUÍVEL/INSUBISTITUÍVEL3
.
Vamos todos juntos levantar essa bandeira.”
SOARES, Bebel. A jornada da inclusão, o direito à
escola. Estado de Minas, 09 de fevereiro de 2025.
Observe os três períodos sublinhados nos
últimos parágrafos do texto. Qual(is) deles
apresenta(m), em sua construção, verbo(s)
representativo(s) do modo subjuntivo?
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