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  • Órgãos: Prefeitura de Ipuã - SP
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#2123736

Atente para o fragmento abaixo, de Bortoni-Ricardo (2005):


Língua urbana é uma denominação genérica que inclui as diversas modalidades estratificadas da língua, usadas nas zonas urbanas, na fala e na escrita. Tais modalidades, que dependem da classe social, da profissão, da zona de residência e, principalmente, do grau de escolaridade dos indivíduos, vão desde as variedades populares que se aproximam muito dos vernáculos, até a variedade culta, empregada pelas pessoas de nível alto de escolarização e pelos meios de comunicação de massa, que segue aproximadamente os preceitos da gramática normativa.

Na língua urbana, observam-se ainda características regionais, principalmente no léxico, pois os regionalismos lexicais encontrados na fala da população de cada cidade brasileira têm cunho geográfico e não social.

Chamamos de língua oficial a descrita na gramatica normativa. Do fato de se basear em escritores não contemporâneos resulta o seu distanciamento, em muitos pontos, da realidade linguística oral e literária no Brasil. Detentora, porém, do beneplácito do sistema sociopolítico, que a considera correta em detrimento de todas as outras variedades, impõe-se o seu emprego em documentos oficiais e formais, bem como o seu estudo na escola, onde o professor a ensina, embora ele próprio não a use em sua fala coloquial.


(BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora? São Paulo: Parábola, 2005)



Com base nos pressupostos defendidos por Bortoni-Ricardo, na obra destacada (e também por outros autores, como Marcos Bagno, em “Português ou Brasileiro”), é INCORRETO afirmar:

  • A norma padrão prescrita nas gramaticas normativas não corresponde totalmente à língua falada por nenhum brasileiro. Embora apresentem certos traços descritivos da sincronia atual, grande parte das regras nelas apresentadas e prescritas refere-se a sincronias faladas em estágios anteriores da língua. Como exemplo, podem-se citar algumas regências verbais e nominais, além de colocações pronominais como a mesóclise.
  • Embora funcionem como forças centrípetas (ou conservadoras), que tentam refrear as mudanças linguísticas, a escola e os meios de comunicação não conseguem neutralizar as distinções entre as múltiplas variedades dialetais.
  • Muitas variedades do português brasileiro, consideradas distantes (em aspectos fonéticos, morfossintáticos e lexicais) da norma padrão e socialmente prestigiada, conservaram traços do português arcaico.
  • No Brasil, são socialmente estigmatizados os vernáculos e variedades populares da língua urbana porque, do ponto de vista estritamente linguístico, tais variedades são estruturalmente deficitárias, insuficientes para a expressão das intenções comunicativas de seus falantes.
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