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  • Bancas: Prefeitura de Itapevi - SP
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#3364371
Texto da Questão:

     Contei por quase toda a minha vida uma história sobre o meu nascimento: eu tenho um leve afundamento craniano na nuca. Lembrava-me bem de uma vez minha mãe comentar que eu nasci a fórceps, o qual me causou essa pequena deformação. Logo criei toda uma teoria sobre ter vindo ao mundo puxado por uma ferramenta, como aquelas que ficam nos parques e shoppings em que você tenta pegar um bicho de pelúcia com um gancho de ferro, geralmente falhando repetidas vezes até assumir sua falta de habilidade.
       Tive, ao longo da vida, diversas reflexões sobre isso. Geralmente me via sendo colhido como um rabanete, em outros momentos pensava muito sobre como esse afundamento era o que eu tinha de mais íntimo, por ser minha primeira interação com o mundo: antes mesmo do látex das luvas da equipe médica me tocar, eu já ganhava uma marca para a vida toda, fruto desse contato inaugural. Raramente corto o cabelo muito baixo, porque o vale fica mais evidente, então, é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido.
           Eu me apeguei a esse evento e o trazia junto de mim como uma história intrigante sobre vir ao mundo já dentro de um tipo de violência, como se minha vida toda fosse constantemente aquela sensação estranha de acordar subitamente. Num domingo qualquer, vindo de uma fase em que queria conhecer mais a minha história, puxei o assunto do meu nascimento com minha mãe e quis saber sobre o fórceps. Minha mãe, muito naturalmente, me explicou que isso nunca aconteceu, que eu nasci em total tranquilidade – tanto que meu pai resolveu parar e fumar um cigarro a mais antes de subir ao andar da maternidade e nesse meio-tempo eu já estava fora do ventre de minha mãe, enrolado numa mantinha. Quem teria nascido a fórceps era a minha irmã e provavelmente eu ouvi essa conversa algum dia da minha infância e minha cabeça a transformaria numa história em que eu era o protagonista. Mas o que eu quero falar é sobre a minha reação imediata diante da desfeita dessa crença particular: eu, surpreendido, quis negar, quis falar que eu tinha certeza de que foi do jeito que eu contava para mim mesmo, ainda que fosse totalmente ilógico eu querer saber mais do que minha mãe sobre o assunto.

(Ricardo Terto. Quem é essa gente toda aqui? Todavia, 2021. Adaptado)

Em relação ao que se afirma no texto, assinale a alternativa correta.

  • O narrador revela que seu pai desfez do momento de seu nascimento, tendo uma atitude que demonstrava descaso.
  • Espanta o narrador o fato de que sua irmã não tenha ficado com qualquer marca de nascimento como ele ficou.
  • O autor considera que o discurso de sua mãe não tem lógica, pois confunde seu nascimento com o de sua irmã.
  • O fato de o narrador ter nascido num domingo faz com que ele entenda a tranquilidade que foi o momento do seu nascimento.
  • O narrador teve um impulso de ir contra as alegações de sua mãe, mas entendeu que não era racional questioná-las.
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