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#3539579
Texto da Questão:

Atenção: Para responder à questão, considere o texto a seguir.


       Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente, e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos da experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem-se as ruas, implanta-se a infraestrutura, depois erguem-se os prédios e, se sobrar espaço, colocam-se uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.


     Outra forma de avaliação da cidade seria por meio da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função específica.


   Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstra que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a Praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a Praça São Marcos.


     É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis às de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.


  Além das árvores e de outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?


(Adaptado de: ECKBO, Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)  





O texto de Garret Eckbo é uma condensação de palestras proferidas a convite da Secretaria dos Negócios Metropolitanos, em São Paulo. Nele, 

  • enquanto versa a respeito de modos de avaliação da estrutura urbana de uma cidade, deixa entrever seu ponto de vista acerca do papel estruturante que a natureza deve desempenhar nesse contexto.
  • alinha sua perspectiva sobre o paisagismo urbano à realidade da cidade de São Paulo, como se pode ver ao final dos dois primeiros parágrafos, mediante o recurso ao exemplo paradigmático da praça de São Marcos, em Veneza.
  • buscando definir duas diferentes formas de avaliar uma tessitura urbana, faz uso de exemplos diametralmente opostos para sua perspectiva, quais sejam, as cidades de Veneza e São Paulo.
  • ao comparar os papéis desempenhados pela árvore e pelo edifício, respectivamente incidental e estrutural, sanciona, em sua avaliação, o planejamento de centros urbanos como São Paulo, tendo em vista a cidade enquanto uma estrutura global.
  • procura, mediante duas perspectivas distintas, mas convergentes em seu resultado, hierarquizar, por níveis de relevância, os elementos do conjunto urbano — edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais.
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