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#2602535

Leia o poema a seguir.


“Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor 

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas).”

(Álvaro de Campos) Disponível em:<https://www.revistaprosaversoearte.com/todas-as-cartas-de-amor-sao-ridiculas-alvaro-de-campos-fernando-pessoa/>. Acesso em: 12 jul. 2019.


A respeito da progressão temática do poema de Álvaro de Campos, é incorreto afirmar: 

  • O poema aborda o tema do amor, sobre o qual se realiza uma rema, com humor, que desmistifica a ideia tradicional de amor, observando os aspectos ridículos do encantamento dos seres apaixonados.
  • A progressão temática do poema se dá pela atribuição do adjetivo “ridículas” às várias fases do amor e de um relacionamento: a paixão, a declaração, a entrega, a desilusão, o saudosismo e, por fim, o desencantamento com a própria ideia de amor.
  • O adjetivo “ridículas”, isolado como um verso e repetido ao longo do poema, poderia ser substituído por termos sinônimos, o que contribuiria para maior coerência e para o desenvolvimento da progressão temática do poema.
  • Nos versos “Mas, afinal, / Só as criaturas que nunca escreveram / Cartas de amor / É que são / Ridículas.”, o eu lírico desenvolve, a partir do tema do amor, uma crítica à recusa que algumas pessoas apresentam em se entregar quando estão apaixonadas.
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