Chove. A noite sombria e gelada, ao invés de embalar,
me rouba o sono. Eu, debaixo do edredom macio, no
aconchego do calor de meu quarto escuro, passo a
cismar. Um vento frio que advém de fora, vaza a fresta da
janela de onde adentra uma réstia de um poste vizinho.
Apesar da comodidade de meu leito, não consigo
conciliar-me com Morfeu. Vem-me à memória a criança
imunda nos braços da mãe, chorando debaixo de um
viaduto. Chorava de fome. Agora, talvez, chore também
de frio. Eles precisam é de justiça social, não de uma
moeda ou um de cobertor.
Fragmento adaptado da crônica "Desigualdades", de Tarcisio Cardoso.
Disponível em: https://tarcisiofcardoso.com.br/cronica-desigualdades/.
A crônica apresenta uma reflexão sobre a desigualdade
social e a ineficácia da caridade individual diante de
problemas estruturais. A partir da leitura e compreensão
do texto, assinale a alternativa que melhor expressa a
tese central defendida pelo narrador-personagem.
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