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#3372629
Texto da Questão:

TEXTO I


Quartetos


Como nos tempos d’antanho já dis: merci

beaucoup

obrigado a ti, Poesia, mil vezes obrigado

porque posso carregar fantasmas a tiracolo

E dizer: eu tenho o mundo.


Na verdade, o tempo e a miséria eu tenho

e a mágoa de ter nascido ó minha mãe!

Quantas vezes, meu Deus, desci aos infernos

para tirar de lá apenas um poema e nada mais...


Nos pensamentos enormes

somente o voo do pássaro é que importa

mas eu bendigo a dor de ter sofrido

para colher a rosa da esperança, a tênue rosa


O poetas do romantismo

vós vos matáveis por amor

porém nós, poetas do modernismo,

temos amor e não nos matamos.


Se me perguntassem (quem ousaria?)

qual o maior poeta do mundo

o que sofreu na carne a dor da poesia

responderia apenas: infelizmente, eu!


Que dissolução nos sentidos

à hora morta do sono sem remédio.

O verso é como o acalanto

mas a criança não dorme há muitos anos...


E dormir é viver, é sonhar

e desperta quem há de achar

a palavra – a simples palavra

(Mulher) e o que engrandece?


( Antônio Girão Barroso Rev. Acad. Cear. Let. N° 35 – 1971)

O último verso da terceira estrofe se caracteriza por enfatizar metaforicamente um aspecto peculiar da arte poética, que é:

  • ressaltar a importância da natureza para a humanização do homem, tornando-o mais sensível e amoroso;
  • realçar a importância da rosa, mostrando-a como símbolo maior do amor e da fragilidade enquanto síntese do desequilíbrio do homem e da vida;
  • estabelecer a relação entre rosa e vida, demonstrando que o amor e a fragilidade são as metáforas da vida em sua plenitude;
  • despertar o homem de seu estado de alienação, apontando-lhe uma possibilidade de transformação do estar-no-mundo;
  • exemplificar através do exemplo da natureza a lição de conformismo frente às intempéries da vida.
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