“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito
prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral, dezoito. Os janotas,
mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam
longos meses debaixo do balaio. E, se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da
chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era para
tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher
maduro e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse
entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada."
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.)
O texto chama-se Antigamente. A construção do texto recorrendo a expressões antigas e
arcaísmos chama a atenção para
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