TODOS CONTRA A CRUELDADE
Sílvia Corrêa

Foi notícia em toda parte: pessoa de cinquenta e poucos anos, em férias no
litoral paulista, arremessou pela janela do 10º andar seus dois cães de estimação.
Eles tinham seis e 16 anos, respectivamente. Morreram na hora.
É um círculo vicioso da modernidade. Inimigos conhecidos – como estresse
demais, sono de menos, muita droga, muito álcool, muita cafeína – alimentam a onda
dos distúrbios psiquiátricos, ao mesmo tempo em que o isolamento urbano estreita os
laços entre homens e animais. Resultado: trazidos para
dentro de casa e criados como filhos, cães e gatos se
transformam nos principais destinatários de nossas emoções.
Do amor incondicional às explosões de raiva. Da
solidariedade às inconfessáveis neuroses.
No próximo domingo, dezenas de cidades serão palco
da manifestação ―Crueldade Nunca Mais‖. Uma das principais
bandeiras é exatamente a mudança na legislação, para que
haja mais rigor na punição de crimes de maus-tratos.
O símbolo do movimento é Titã, o cãozinho enterrado
vivo pelo dono no interior de São Paulo e que foi adotado pela veterinária que o
tratou.
(Folha São Paulo, segunda-feira 16 de Janeiro de 2012)
