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#3712793

No Brasil Império, a imprensa ilustrada da segunda metade do século XIX consolidou-se como um espago privilegiado de disputa simbólica e politica, articulando critica social, humor gráfico e circulação pública de imagens em periódicos de grande alcance, como Semana Illustrada, Revista Illustrada, O Mequetrefe e A Vida Fluminense. Em um contexto marcado por intensificação do debate sobre projetos de nação, crise do Segundo Reinado, expansão urbana, emergência de novos públicos leitores e consolidação de uma cultura politica visual, caricaturas e gravuras deixaram de ser meros ornamentos editoriais e passaram a operar como argumentos visuais capazes de sintetizar posições ideológicas, ridicularizar autoridades, tensionar politicas de Estado e intervir na opinião publica. Exemplos emblemáticos incluem as caricaturas de Ângelo Agostini, que representavam D. Pedro II como monarca envelhecido e desconectado das urgências sociais, e as charges abolicionistas que figuravam senhores escravistas como figuras grotescas, anacrônicas e moralmente condenáveis, contrapondo-se à imagem de sujeitos negros insurgentes e politicamente conscientes, como na sátira visual à repressão policial na Revolta do Vintém (1879) ou nas representações da Guarda Negra defendendo a monarquia nos estertores do regime. Ao mesmo tempo, essas imagens circulavam nacionalmente e atravessavam disputas que envolviam elites, trabalhadores urbanos, abolicionistas, republicanos e monarquistas, demonstrando que a cultura visual impressa atuava como campo de embate e não como voz homogénea ou regionalmente restrita.

A partir dessa contextualização, assinale a alternativa correta.

  • Agia como extensão visual da máquina administrativa imperial, reproduzindo sem mediação critica os interesses do Estado e eliminando qualquer forma de sátira gráfica a figura do monarca ou as politicas governamentais.
  • Constituía uma linguagem editorial não argumentativa, pois as imagens eram publicadas como elementos neutros que não participavam da formação da opinião pública nem das disputas em torno de modelos de cidadania, de abolição ou de regime politico.
  • Limitava-se a circulação intraprovincial, pois os periódicos ilustrados eram controlados por coronéis regionais e não alcançavam debates nacionais, abolicionistas ou republicanos, restringindo-se à exaltação das oligarquias provinciais.
  • Funcionava como arena pública de embates visuais e textuais, mobilizando caricaturas, gravuras e charges como argumentos políticos, interferindo na opinião pública e na construção de imaginários sobre monarquia, republica, escravidão e abolição, a exemplo das obras de Agostini e de outros caricaturistas que disputavam sentidos de nação e cidadania.
  • Era uma linguagem editorial interditada as elites letradas, pois o uso de imagens na imprensa era considerado ilegal e incompatível com a cultura politica do Segundo Reinado, sendo tolerado apenas em publicações estrangeiras.
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