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#2655656
Texto da Questão:

NÃO HÁ VAGAS


O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão


O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras

̶ porque o poema, senhores,

..está fechado:

"não há vagas"


Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço


O poema, senhores,

não fede

nem cheira

FERREIRA GULLAR. Não há vagas. Antologia Poética. Disponível em: . Acesso em:<http://www.citador.pt/poemas/nao-ha-vagas-ferreira-gullar> 17 ago. 2017.

Nos versos “o operário/ que esmerila seu dia de aço/ e carvão/ nas oficinas escuras”, o sentido construído por meio do emprego do conectivo destacado é semelhante ao obtido no seguinte trecho:

  • “com seu salário de fome/ sua vida fechada/ em arquivos.”
  • “O funcionário público/ não cabe no poema/ com seu salário de fome”.
  • “Só cabe no poema/ o homem sem estômago”.
  • “O poema, senhores,/ não fede/ nem cheira”.
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