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#3578812
Texto da Questão:

Leia o texto abaixo para responder à questão.


O amor bate na aorta

Cantiga de amor sem eira nem beira, vira o mundo de cabeça para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme do Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca,
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…


(Carlos Drummond de Andrade)

O autor do poema busca por meio de uma narrativa poética: 

  • Mostrar as facetas do amor como desventuras que se pode evitar;
  • Evidenciar o autocontrole do eu-lírico em poder conduzir os sentimentos descritos no poema;
  • Apontar que, inevitavelmente, sabido e imprevisível, o amor atinge a todos;
  • Apresentar as nuances do amor, como um bicho instruído e controlável;
  • Diferir o amor dos outros sentimentos, mostrando o antagonismo do amor e do ódio.
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