Lima Barreto em sua última passagem pelo hospital (1919)
O texto a seguir é um fragmento do artigo
“O Lima Barreto que nos olha”, de Beatriz
Resende, Professora Titular de Poética do Departamento de Ciência da Literatura da Faculdade
de Letras da UFRJ.
“(...) De toda a vasta obra de Lima Barreto, Clara
dos Anjos, romance que a cada leitura me agrada
mais, me parece ser o que mais equívocos provocou. A forma mais livre, mais moderna, mais coloquial, influenciada talvez pela linguagem do jornalismo que praticava intensamente, foi considerada
falha de estilo ou rigor. Foi também a que mais fortemente fez surgir preconceitos, alguns ocultos sob a
força da inteligência de críticos que, no entanto, não
podiam fugir completamente às ideias de seu tempo
em relação não apenas ao tema da raça, mas também ao comportamento de mulheres.
A narrativa passa-se, com exceção de um único
capítulo, nos subúrbios do Rio de Janeiro, para além
dos limites traçados pela linha férrea dos trens da
Central. Algumas são áreas mais próximas do centro da cidade, o Méier e o Engenho de Dentro, onde
habita uma classe média próxima ao operariado, formada por funcionários públicos ou pequenos negociantes. Em outras, mais distantes, ficavam as moradias de operários, funcionários ainda mais subalternos ou simplesmente aqueles que a modernização
do país introduzida pela República tornara pobres. É
onde Lima Barreto vai morrer. (...)”
Em relação ao trecho “(…) críticos que, no entanto,
não podiam fugir completamente às ideias de seu
tempo (…)”, é correto afirmar que esses críticos:
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