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#3204613
Texto da Questão:

Leia o texto e, em seguida, responda às questões 1, 2 e 3


Do tempo e do vento


(Por Ana Quitéria Homero Fonseca)


Coisas inerentes à existência do ser vivente são o tempo e o vento. Além de nome de obra literária e minissérie de TV, são realmente inspiradoras e, talvez por isso mesmo, batizaram criações humanas. Os seres viventes apreciam o vento. E o tempo é o melhor remédio para tudo, já diz o clichê. Os clichês nascem das verdades atávicas. Se não fossem verdades resistentes ao tempo, não seriam repetidos à exaustão e não seriam clichês. Clichês se fazem com o tempo.

O vento, sempre digo, é – depois das costas das mãos – o primeiro socorro no enxugamento das lágrimas. Chega antes do tempo, que, não horas mais impróprias, parece fazer de propósito a desfeita de passar devagar. O vento é companheiro de todos por onde cisma de soprar. Diferente do sol, de quem se pode fugir debaixo de uma marquise ou de uma sombrinha e que desaparece como se fosse dormir, o vento quando chega, é quase sempre bem-vindo, ao menos nessas terras de calor e sudorese. O vento seca suores.

O tempo tem o seu próprio tempo e por ser muito antigo, sabe bem das coisas. Viu tudo e todos que a terra já comeu e que, com o tempo, comerá. Chega no tempo certo, sempre na hora certa. Quando exatas e felizes, coincidências; quando tristes, fatalidades. O tempo assiste ao vento fazer e desfazer montanhas.

Não tente com muito afinco aparar o vento. Vire-se de banda e deixe-o passar raspando, ou ele carrega tudo, guarda-sóis, chapéus, saias, e se estiver realmente como vontade, telhados e casas. Dizem que até vacas já foram carregadas pelo vento.

Não tente com muito afinco parar o tempo. Dê de ombros e deixe-o passar macio, ou ele carrega tudo, a beleza de envelhecer, a felicidade, a dignidade, e se não for bem-aproveitado, as lembranças, os amigos. Fala-se muito de amores extintos pelo tempo.


(Coletânea Antônio Maria de Crônicas/Xico Sá... [et al]. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2010 – Vol.1)

Analise as estruturas I e II, reproduzidas abaixo e, logo após, avalie as explicações fornecidas nas alternativas, de modo a assinalar a única que é CORRETA.


I- [...] ou ele carrega tudo, guarda-sóis, chapéus, saias, e se estiver realmente como vontade, telhados e casas.

II- [...] ou ele carrega tudo, a beleza de envelhecer, a felicidade, a dignidade, e se não for bem-aproveitado, as lembranças, os amigos.

  • Em cada uma das estruturas, há advérbios – um de modo (realmente) e outro de dúvida (não).
  • Nas duas estruturas, ocorre a elipse/apagamento do verbo “carregar” na segunda oração que forma o período.
  • Nas duas estruturas a forma SE tem a função de conjunção subordinativa causal.
  • Na primeira estrutura, o valor do SE é de hipótese, e na segunda de concessão.
  • Nas duas estruturas, os sujeitos dos verbos ESTAR e SER são indeterminados.
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