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#3185413

Na primeira década dos anos 2000, refletindo sobre as condições de encarceramento nos Estados Unidos, o sociólogo Loïc Wacquant afirma que
A irresistível ascensão do Estado penal nos Estados Unidos durante as três últimas décadas não é uma resposta ao aumento da criminalidade – que permanece praticamente constante [...] – mas sim aos deslocamentos provocados pela redução de despesas do Estado na área social e urbana e pela imposição do trabalho assalariado e precário como nova norma de cidadania para aqueles encerrados na polarizada estrutura de classes.
WACQUANT, L. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos [a onda punitiva] 3.ed. Rio de Janeiro: Revan, 2018. p. 15. Adaptado.

O trecho acima, em analogia com a realidade brasileira, permite concluir que o aumento agudo da população carcerária

  • explica-se pelo aumento relativo e proporcional da criminalidade, considerando em especial crimes contra a vida e o patrimônio, como latrocínio e homicídios.
  • justifica-se pelo aprimoramento dos mecanismos de segurança pública como um todo, e vem acompanhado de uma sensação crescente de segurança pela população.
  • relaciona-se à precarização das relações de trabalho e ao retraimento das políticas públicas de proteção, historicamente associadas ao Estado de bem-estar social.
  • deve-se a desvios individuais e singulares de sujeitos cuja formação ética e moral destoa dos valores partilhados pela sociedade, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil.
  • revela-se como uma política pública eficaz e republicana, na medida em que retira do convívio social pessoas que evidentemente não se adequam à normatização da vida pacífica e civilizada.
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