De um lado, verde-amarelo, do outro, vermelho. Ou isso ou
aquilo. Não há espaço “em cima do muro” ou para a
ponderação entre argumentos. O cenário político se reduziu
a uma dualidade de opiniões.
Há algum tempo, um comentário em uma postagem sobre
política em um perfil em uma rede social na Internet me
levou ao fim de uma amizade de longa data. Uma amiga
discutiu intensamente comigo por não concordar com a
minha opinião. Eu fiquei triste e lamentei a situação, pois sei
que não se trata de um caso isolado.
Este acirramento de ânimo presente no dia a dia dos
brasileiros só mostra o quão profunda é a autocrítica que
cada uma das partes envolvidas tem para fazer. Parte desse
problema vem da dificuldade em reconhecer o outro. Para
muitas pessoas, o outro existe desde que se subordine ao
nosso padrão.
Por que vivenciamos o atual clima de tensão na política, nas
redes sociais e em outros meios? Certamente não tenho
uma resposta final para essa questão. Me parece, no
entanto, que dois fatores contribuem em alguma medida
para esse cenário.
Primeiramente, é evidente que as pessoas têm acesso a
mais informações de forma quase instantânea. Existem
câmeras e smartfones em todos os lugares, prontos para
registrar o exato momento em que qualquer pessoa faz algo
errado. Esse ambiente de constante vigília que deixaria
George Orwell impressionado parece ter criado nas pessoas
uma ideia de que todos fazem algo errado em algum
momento. Ou, se preferir, todos são suspeitos.
Sim! Todos são suspeitos em um mundo repleto de
câmeras. Isso certamente cria em nós uma crise de
identidade e reduz o nosso interesse por manter debates
amigáveis e construtivos.
O segundo fator está relacionado às redes sociais. O acesso
às redes sociais é um aspecto de empoderamento, pois nos
permite falar para um público e, eventualmente, sermos
louvados por isso. Com um celular em mãos, podemos
opinar, criticar, apontar defeitos, divulgar notícias – até
mesmo falsas notícias – levantar bandeiras e defender
pontos de vista.
O que aconteceria se todos tivessem acesso a esse grande
poder de comunicação? Bem, basta pegar seu aparelho
celular e conferir as inúmeras opiniões rudes, pouco
sensatas, imorais ou apresentadas sem qualquer respeito ao
próximo que inundam a Internet diariamente.
Ao término dessa breve reflexão, uma pergunta é inevitável:
podemos ter esperanças de que tempos melhores virão?
Leia o texto 'Brasil dividido em dois' e, em seguida,
analise as afirmativas abaixo:
I. Ao utilizar uma sequência de verbos no infinitivo no trecho
“Com um celular em mãos podemos opinar, criticar, apontar
defeitos, divulgar notícias”, a autora lança mão de um recurso
linguístico chamado de metonímia, ou seja, ela procura
reforçar seus argumentos a partir da enumeração dos fatos
ou de uma lista de ações.
II. No trecho “O cenário político se reduziu a uma dualidade de
opiniões”, a autora utiliza uma linguagem formal para exprimir
uma ideia de dualidade no debate sobre todos os temas
pertinentes à vida dos Brasileiros. No texto, essa ideia precede
uma proposição para a equalização dos dilemas descritos no
texto.
III. A profunda autocrítica que os brasileiros têm feito nos
últimos anos contribuiu extensamente para a ampliação da
percepção dos eleitores sobre as falhas dos sistemas político
e jurídico do nosso país, afirma a autora no texto.
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