Entre as décadas de 1890 e 1930, período caracterizado
pelo processo de modernização das grandes cidades, observou-se
uma das maiores transformações técnicas nas habitações: a sua
articulação aos sistemas de infraestrutura urbana. Com a chegada
dos serviços de abastecimento de energia e saneamento no
interior da moradia, surgiu a necessidade de espaços e práticas
específicas para o funcionamento da nova aparelhagem, o que
implicava a reorganização dos ambientes e da vida doméstica.
Um dos grandes feitos da tecnologia das canalizações foi
concentrar e organizar os fluxos de água pura e servida, antes
dispersos pelo espaço da cidade, e estabelecer, assim, maior
controle sobre a captação e o descarte da água. Simultaneamente
à oferta da infraestrutura sanitária, existia uma série de ações
deliberadas para a extinção do uso compartilhado e gratuito da
água, como a destruição dos chafarizes, para forçar a conexão das
residências às redes urbanas, e a proibição do uso dos rios e
córregos para banho, lavagem de roupa ou despejo de dejetos.
Além dos riscos que ofereciam à saúde pública, essas práticas,
comuns até então, passaram a ser consideradas como expressão
do atraso civilizacional das grandes cidades do país, obstáculos
em seu processo de modernização.
Nesse sentido, o cerceamento de determinadas práticas no
espaço público respondia ao enquadramento de ordem do sistema
de higiene, pelo qual se promovia a casa como lugar privilegiado
do domínio sobre o consumo da água e de eliminação dos
dejetos. Trata-se do processo que François Béguin, engenheiro de
materiais e ex-líder do Grupo de Energia e Meio Ambiente, na
França, denomina de “domesticação da circulação dos fluidos”,
em referência ao pioneiro sistema urbano de redes nas cidades
industriais inglesas do século XIX.
Béguin mostra que, embora não tenham sido
desenvolvidos para as habitações residenciais, o aparelhamento
técnico e as atividades de captação de água, lavagem de roupa,
banhos, despejo de água servida etc. passaram a ter lugar nos
espaços domésticos. A configuração arquitetônica foi
transformada com a instalação de dispositivos e equipamentos,
bem como com a formulação de ambientes especiais, como os
banheiros.
Clarissa de Almeida Paulillo. Padrões e apropriações da higiene na consolidação
do banheiro nas moradias paulistanas (1890−1930). In: Anais do Museu
Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 30, p. 1–38, 2022.
Internet: (com adaptações).
Julgue o item que se seguem, com base na estruturação linguística do texto CG1A1 e no vocabulário nele empregado.
No primeiro período do primeiro parágrafo, o vocábulo
“sua” tem como referente o termo “transformações”.
Autenticação
Limite Diário Atingido
Você atingiu o limite de 10 questões diárias para usuários sem plano. Ao se tornar um membro, você poderá:
Resolver mais questões e melhorar seu desempenho.
Acessar conteúdo exclusivo da IAProvatec.
Potencializar seus estudos com estatísticas avançadas.
Que tal se tornar um membro agora e aproveitar todos os recursos da plataforma?