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#2198013

“Na virada dos 1900, 12 anos após uma gradual, segura e tardia libertação de sua multidão de escravos, o Brasil negava a si mesmo como sociedade e duvidava profundamente de sua integridade nacional. Para muitos, éramos uma sociedade doente, feita de "raças inferiores" – o "branco" português, o "índio" e o "negro" - que não tinha capacidade para gerenciar sua imensa riqueza e seu próprio destino. Nosso maior defeito era ser aquilo que ninguém poderia corrigir por meio de leis copiadas de fora: éramos uma sociedade híbrida, um sistema inapelavelmente misturado e mestiço”
(DA MATTA, R. BRASIL DOIS MIL: UM EXERCÍCIO DE PROFECIA In FERREIRA, Marieta de Moraes (org.). História oral: desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz / CPDOC - Fundação Getúlio Vargas, 2000, p, 24).
Sobre o Brasil da Belle Époque, é ERRADO afirmar que: 

  • A nossa elite tinha um denominador comum a leitura do Brasil como uma coletividade enferma e constituída de coisas fora do lugar.
  • Naquela época, o heterogêneo, o múltiplo, o polissêmico e o ambíguo representavam exclusivamente a "doença" e o "atraso".
  • O maior sintoma de atraso era a convivência num mesmo sistema de dois ou mais códigos culturais que liam o mundo de modo diferenciado.
  • No início do século XX, então, o Brasil tinha o sério problema de conciliar a heterogeneidade de sua experiência histórica com um modelo civilizatório que não contemplava como positivo o hibridismo.
  • Em um momento de consolidação do Estado-nacional capitalista e de triunfo do individualismo, do mercado, da industrialização e da técnica, nada era mais caro ao chamado "mundo civilizado" ou "adiantado" do que a ideia de mestiçagem e de compartimentalização.
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