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#2643763

Andavam devagar, olhando para trás, como quem quer voltar. Não tinham pressa em chegar, porque não sabiam aonde iam. Expulsos de seu paraíso por espadas de fogo, iam ao acaso, em descaminhos, no arrastão dos maus fados.

Fugiam do sol e o sol guiava-os nesse forçado nomadismo.

Adelgaçados na magreira cômica, cresciam, como se o vento os levantasse. E os braços afinados desciam-lhes aos joelhos, de mãos abanando.

[...]

Não tinham sexo, nem idade, nem condição nenhuma. Eram os retirantes, nada mais.


ALMEIDA, J. Américo de. A bagaceira. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1978. p. 43.


Em relação ao texto, chega-se à conclusão de que

  • se trata de indivíduos expulsos de sua terra, que vagam em direção a lugares amenos.
  • o nomadismo não se dava a partir do desejo dos retirantes, mas pela crueldade do fenômeno climático que os compelia a vagar à toa.
  • o autor retrata uma paisagem pitoresca, baseada em cenas remotas e destituídas de relação com fenômenos climáticos regionalizados.
  • a verossimilhança do texto se estabelece num tempo longínquo e esquecido na memória afetiva do homem sertanejo nordestino.
  • as imagens expressas pelos indivíduos simbolizam um universo paralelo ao fenômeno climático, posto que aquilo que se evidencia é a expulsão social e econômica dos retirantes.
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