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#2044719

Segundo Dalgalarrondo (2019, p. 535), nos instrumentos estruturados com perguntas para avaliar a personalidade, há, na maior parte das vezes, questões que não deixam claro se a característica investigada é de algo atual ou de algo realmente presente e estável ao longo da vida. Por exemplo, afirmações como “sou comunicativo”, “confio no que as pessoas dizem”, “gosto de manter a rotina”, “sou uma pessoa nervosa” (essas questões são da Bateria Fatorial de Personalidade [BFP], do modelo Big Five), em uma pessoa em estado depressivo, maníaco ou com quadro paranoide, não irão captar a personalidade presente ao longo da vida do indivíduo, mas antes seu estado mental atual. O mesmo é verdadeiro para os testes projetivos, que podem captar o estado atual, momentâneo. Portanto, é muito importante, nas avaliações de personalidade, tomar as seguintes precauções, para que a avaliação reflita a personalidade ao longo da vida, e não o estado atual (marque a alternativa INCORRETA):

  • Em pessoas com outros transtornos mentais, para se avaliar a personalidade, é sempre preferível, se não obrigatório, realizar a avaliação da personalidade quando a pessoa está fora do estado agudo ou ativo do transtorno. Por exemplo, pacientes com TB devem estar fora de episódio maníaco ou hipomaníaco; pacientes com transtornos depressivos recorrentes, fora do quadro depressivo (e com remissão completa ou o mais próximo a isso); aqueles com esquizofrenia, fora de surto agudo.
  • Ao se entrevistar clinicamente os pacientes e seus familiares, deve-se deixar bem claro que o que se investiga é o perfil da pessoa, suas características e modos de ser, sentir e reagir ao longo da vida como um todo, e não limitado ao período atual.
  • É interessante avaliar a personalidade em diferentes fases da vida e verificar a estabilidade dos dados obtidos.
  • Sempre que possível, deve-se avaliar a personalidade por meio de entrevistas diretas com os indivíduos em avaliação, bem como por meio de entrevistas cuidadosas com pessoas que convivem há considerável tempo com a pessoa em avaliação (mãe, pai, irmãos, cônjuge, amigos próximos de longa data etc.).
  • De modo geral, para que a avaliação clínica da personalidade aconteça de forma qualitativa, por meio de uma observação cuidadosa, esta deve se limitar ao período atual e não deve incluir entrevistas detalhadas com familiares e conhecidos, pois o que se investiga é o paciente e o que se busca é sua cura. Nesse sentido, não cabe investigação com familiares, buscando identificar, em seus relatos, quais dos traços são mais claramente presentes no indivíduo e/ou que descrevam como ele é no dia a dia, como é seu jeito de ser, seu estilo pessoal, seu modo de reagir, de sentir e de atuar ao longo dos anos, nas diversas situações de vida.
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