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#3483663

Leia o relato de um diário de pesquisa sobre representações de raça no contexto escolar da Educação Infantil, a seguir:


As observações realizadas nos diversos espaços das escolas apontam para uma recorrência de representações de raça e de gênero vinculadas a características fenotípicas e associadas com padrões de beleza hegemônicos e relativos à classificação feio/a ou bonito/a. Nesse sentido, para algumas crianças, ser branco/a e ter cabelos lisos, dentre outras características, parecia ser fundamental para alguém ser considerado bonito/a e aceito/a no grupo. A situação descrita abaixo foi desencadeada na turma de educação infantil enquanto as crianças brincavam no pátio:


Há duas crianças, o Pedro e a Fernanda, que são vizinhas e todos os dias chegam e vão embora na/da escola juntas, acompanhadas pela mãe da menina. O menino frequentemente a chama de ‘Leitão’ pelo fato dela ser gorda. Nesse dia ele voltou a chamá-la da mesma forma e, mesmo que ela soubesse o nome do colega, ela chegou a mim reclamando: ‘Prô, aquele negrão me chamou leitão... foi aquele negrão ali! (Guizzo; Zubaram; Beck, 2017, p.526).


Considerando o relato, é sabido que, no contexto escolar, ainda é corriqueira a reprodução de práticas discriminatórias, intolerantes e excludentes sobre o racismo. Deste modo, no âmbito educacional, urgem debates sobre a temática das relações étnico-raciais. Assinale a alternativa CORRETA, considerando a análise do relato de pesquisa, o espaço da Educação Infantil e as relações étnico-raciais:

  • A fala da menina Fernanda carrega e produz estereótipos que funcionam para manter apenas fronteiras étnico-raciais, e não fronteiras sociais e culturais.
  • Na situação descrita, o fato de um sujeito pertencer a essa ou àquela raça não implica vantagens ou desvantagens, aproximações ou distanciamentos, equidade ou diferenciação de grupos e populações.
  • O uso da palavra “negrão” pode ser visto como uma estratégia de representação negativa, mas que não deprecia Pedro, marcando pouco a diferença entre as duas crianças.
  • O relato do diário de pesquisa permite observar que as pedagogias da racialização ainda atuam dentro da escola, relacionadas a critérios de pertencimento ou exclusão de determinados indivíduos e grupos sociais.
  • A palavra “negrão” não serviu de marcador da diferença, quando proferida por Fernanda, contribuindo pouco para a baixa autoestima de Pedro, uma criança afrodescendente.
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