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#1795282
Texto da Questão:

[Retratos fiéis]

        Não sei por que motivo há de a gente desenhar tão objetivamente as coisas: o galho daquela árvore exatamente na sua inclinação de quarenta e três graus, o casaco daquele homem justamente com as ruguinhas que no momento apresenta, e o próprio retratado com todos seus pés-de-galinha minuciosamente contadinhos... Para isso já existe há muito tempo a fotografia, com a qual jamais poderemos competir em matéria de objetividade.

        Se, para contrabalançar minhas lacunas, me houvesse Deus concedido o invejável dom da pintura, eu seria um pintor lírico (o adjetivo não é bem apropriado, mas vai esse mesmo enquanto não ocorrer outro). Quero dizer, o modelo serviria tão só do ponto de partida. O restante eu transfiguraria em conformidade com meu desejo de fantasia e poder de imaginação.


(Adaptado de: QUINTANA, Mário. Na volta da esquina. Porto Alegre: Globo, 1979, p. 88)

Demonstra-se boa compreensão de um segmento do texto no seguinte caso:

  • Se, para contrabalançar minhas lacunas, me houvesse Deus concedido o(...)dom= caso Deus tivesse compensado minhas falhas agraciando-me com o talento
  • o próprio retratado com todos seus pés-de-galinha minuciosamente contadinhos= o fotógrafo mesmo, que não poupa detalhes, perde-se ao contar minúcias
  • com a qual jamais poderemos competir em matéria de objetividade= com cuja materialidade nem mesmo sendo objetivos havemos de tratar
  • Não sei por que motivo há de a gente desenhar tão objetivamente as coisas= Não vejo razão para renunciarmos à objetividade quando desenhamos
  • O restante eu transfiguraria em conformidade com meu desejo de fantasia= O que sobrasse eu dispensaria para poder fazer jus ao meu critério de artista
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