Brasil lidera a desinformação antivacina na América
Latina, aponta estudo
Desinformações sobre vacinas cresceram mais de 600
vezes durante a pandemia, segundo o levantamento.
O Brasil concentra 40% de todo o conteúdo antivacina
do continente latino-americano. É o que aponta o
estudo "Anti-vaccine Disinformation in Latin America and
the Caribbean" (Desinformação antivacina na América
Latina e no Caribe), que mapeou, pela primeira vez, 81
milhões de mensagens publicadas em 1.785
comunidades de teorias da conspiração no Telegram,
distribuídas por 18 países, entre 2016 e 2025. O
levantamento é coordenado por pesquisadores da
Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O estudo identificou 175 supostos danos atribuídos às
vacinas e 80 falsos "antídotos" vendidos como "detox"
para neutralizar seus efeitos. Segundo alerta dos
pesquisadores, a desinformação se consolidou como
mercado lucrativo e ameaça à saúde pública.
"A desinformação não é acaso, é um projeto daqueles
que lucram com isso. Ela se organiza, se financia e se
adapta porque há interesses por trás. O que o estudo
mostra é que o antivacinismo virou um sistema de
medo e lucro que mina a confiança social e fragiliza
políticas públicas de saúde", explica Ergon Cugler,
pesquisador do DesinfoPop/FGV e coordenador do
estudo. [...]
"O Brasil virou o epicentro latino-americano da
desinformação antivacina. Isso não acontece por acaso:
temos um ambiente digital que ainda engatinha no
debate da regulação, plataformas que lucram com o
engajamento do medo e desafios estruturais que
permitem que o discurso conspiratório floresça", diz
Ergon Cugler.
[...]
A pesquisa mapeou os 175 principais supostos danos
causados pelas vacinas, divulgados nos grupos de
desinformação. As alegações falsas mais comuns vão de
morte súbita e alteração do DNA a envenenamento e
câncer, seguidas por boatos sobre coágulos,
infertilidade e problemas cardíacos.
[...] O estudo também identificou 80 falsos antídotos para
supostamente "desfazer" vacinas. Os mais difundidos
são o aterramento − ficar descalço no solo − (2,2%), que
afirma "limpar energias do corpo"; o dióxido de cloro
(1,5%), vendido como "solução milagrosa mineral" mas
altamente tóxico; e produtos como alho, ivermectina e
zeólita. [...]
"O antivacinismo é mais do que um discurso: é um
mercado que transforma pânico em produto. Enfrentar
isso exige ação coordenada entre governo, imprensa,
plataformas e sociedade. Combater a desinformação é
uma questão de soberania informacional e de saúde
pública", conclui Ergon Cugler.
A respeito do último parágrafo, uma citação direta da fala
do coordenador da pesquisa, e tendo todo o texto como
referência, analise as sentenças:
"O antivacinismo é mais do que um discurso: é um
mercado que transforma pânico em produto. Enfrentar
isso exige ação coordenada entre governo, imprensa,
plataformas e sociedade. Combater a desinformação é
uma questão de soberania informacional e de saúde
pública".
Nesse raciocínio construído pelo pesquisador e
coordenador da pesquisa, observa-se que:
I. Tem início com a problematização do que é
antivacinismo, definindo-o a partir disso, ou seja, é algo
mais complexo do que apenas um discurso; é
mercadológico, podendo-se inferir que tem como objetivo
o lucro. Essa inferência é possível também pela escolha
vocabular: mercado, produto.
II. Na sequência, o pesquisador apresenta um caminho
possível para enfrentar o discurso mercadológico
antivacina, um trabalho conjunto de diversas esferas, o
que possibilita ao leitor compreender que o problema é
complexo e não se resolverá com movimentos isolados.
III. Finalmente, concluindo seu raciocínio, o pesquisador
associa o "antivacinismo" à desinformação, ou seja, o
leitor é instigado a compreender que o "antivacinismo" é
um entrave à soberania da informação e à saúde
pública.
É correto o que se afirma em:
Autenticação
Limite Diário Atingido
Você atingiu o limite de 10 questões diárias para usuários sem plano. Ao se tornar um membro, você poderá:
Resolver mais questões e melhorar seu desempenho.
Acessar conteúdo exclusivo da IAProvatec.
Potencializar seus estudos com estatísticas avançadas.
Que tal se tornar um membro agora e aproveitar todos os recursos da plataforma?