Leia com atenção a tradução feita por Paloma Vidal do poema de Tamara
Kamenszain no livro O eco da minha mãe:
Não posso narrar.
Que pretérito me serviria
se minha mãe já não me tece?
Desencaminhada então eu me detenho
ante um estado de coisas presente demais:
ser a descuidada que cuida dela
enquanto outros a descuidam por mim.
São pessoas que me sobram
e a gramática se torna um escândalo
quando ela que esqueceu as palavras
adianta seu bebê furioso
a fim de dizer tudo
mesmo que nada se entenda.
KAMENSZAIN, Tamara. O gueto / O eco da minha mãe. Tradução de Paloma
Vidal e Carlito Azevedo. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 77.
Neste poema do texto 1, os versos que dizem
“São pessoas que me sobram / e a gramática se torna
um escândalo / quando ela que esqueceu as palavras / adianta seu bebê furioso / a fim de dizer tudo
/ mesmo que nada se entenda” têm como objetivo
expressar que:
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