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#3671503
Texto da Questão:

Texto 1


Leia com atenção a tradução feita por Paloma Vidal do poema de Tamara Kamenszain no livro O eco da minha mãe:

 

Não posso narrar.

Que pretérito me serviria

se minha mãe já não me tece?

 

Desencaminhada então eu me detenho

ante um estado de coisas presente demais:

ser a descuidada que cuida dela

enquanto outros a descuidam por mim.

 

São pessoas que me sobram

e a gramática se torna um escândalo

quando ela que esqueceu as palavras

adianta seu bebê furioso

a fim de dizer tudo

mesmo que nada se entenda.

 

KAMENSZAIN, Tamara. O gueto / O eco da minha mãe. Tradução de Paloma Vidal e Carlito Azevedo. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 77.

Neste poema do texto 1, os versos que dizem “São pessoas que me sobram / e a gramática se torna um escândalo / quando ela que esqueceu as palavras / adianta seu bebê furioso / a fim de dizer tudo / mesmo que nada se entenda” têm como objetivo expressar que: 

  • existe muita rigidez nas normas gramaticais exigidas pela escola.
  • a fala materna tende a ser amorosa, sendo assim, é sempre difícil de ser expressa pela linguagem.
  • o ser humano perde a vontade de se expressar quando perde o domínio das palavras.
  • há experiências e pensamentos que não cabem inteiramente nas palavras, tornando a linguagem incapaz de traduzir com exatidão tudo o que o eu sente.
  • só é possível atingir um nível de compreensão da fala do outro a partir do uso de uma gramática normativa.
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