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#2680347

O documento não é inócuo. É, antes de mais nada, o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, da história, da época, da sociedade que o produziram, mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio. O documento é uma coisa que fica, que dura, e o testemunho, o ensinamento (para evocar a etimologia) que ele traz devem ser em primeiro lugar analisados, desmistificando-lhe o seu significado aparente. O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias. (2003, p.537-538).

LE GOFF, Jacques. Documento/monumento. In: FONSECA, Thaís N. L. (orgs.). História e Memória. 5ª ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003, p. 525-541.


Sobre as considerações postas por Le Goff, é correto afirmar que a Documentação:

  • Remete à qualificação do termo “documento”, onde Jacques Le Goff equivocadamente sustenta a ideia de que o termo latinodocumentum, derivaria dedocere, que significaria “ensinar”. Evidencia ainda que apenas no século XVII que de fato propagou-se, na linguagem jurídica francesa, a expressão “títulos e documentos”; já o sentido da documentação como “prova” e como “testemunho histórico” foi incorporado a partir do século XIX.
  • Possui escassas formas de serem categorizadas, cujas nuances se mostram de forma estática conforme os elementos presentes nos documentos. Dentre estas nuances temos a Arquivologia, destacando-se como suporte, que se refere ao material sobre o qual as informações são registradas (exemplos: papel, filme, disco magnético); e gênero, que consiste por sua vez na configuração que assume um documento de acordo com sua própria linguagem (exemplos: textuais, audiovisuais, fonográficos, iconográficos, eletrônicos).
  • Possui outro qualitativo consistindo na conhecida classificação das “três idades”: a documentação intermediária agrega documentos nas fases de uso e que estão vinculados às suas finalidades imediatas, sejam administrativas ou legais; a documentação corrente, a qual aguarda pela definição de seu descarte ou da sua guarda definitiva; e a documentação ativa, que aglutina os documentos preservados devido ao seu valor histórico, destacando as suas potenciais funções científica, social e cultural.
  • Tem como marco histórico primordial a Revolução Industrial, sendo este um marco significativo para a lida documental. Isso porque os Arquivos Nacionais foram criados paulatinamente e a perspectiva de atendimento ao cidadão, por meio do acesso à informação, começou a ganhar os primeiros contornos, ainda que de maneira tímida.
  • Remete à noção de conjunto de documentos, bem como se refere às ações de coleta, processamento técnico e disseminação de informações. Em linhas gerais, o termo documentação pode ser compreendido como prática com e/ou sobre algum documento ou conjunto documental. Importa destacar a característica de evidenciar vários tipos de registros, garantindo a permanência da informação ao longo dos diferentes contextos históricos. Muito além de agregar as múltiplas expressões do conhecimento humano, a documentação assume a função de representar ideias e objetos que nos informam sobre algo.
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