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#2241103

O sete de abri de 1831, mais do que o Sete de Setembro de 16822, representou a verdadeira independência nacional, o início do governo do país por si mesmo, a Coroa agora representada apenas pela figura quase simbólica de uma criança de cinco anos. O governo do país por si mesmo, levado a efeito pelas regências, revelou-se difícil e conturbado. Rebeliões e revoltas pipocaram por todo o país, algumas lideradas por grupos de elite, outras pela população tanto urbana como rural, outras ainda por escravos.

CARVALHO, J. Murilo. Documentação política, 1808-1840.

In: “Brasiliana da Biblioteca Nacional”. Nova Fronteira, 2001.

O período que se iniciou com a abdicação de D. Pedro I foi considerado o mais agitado do Império. À época foi consolidado o processo de independência, que acabou evidenciando as divisões no interior das elites dominantes, abrindo espaço para as revoltas, ou de cunho liberal ou populares. Essa agitação política atingiu inúmeras províncias, incluindo a de Mato Grosso, que foi palco da revolta conhecida como Rusga, que eclodiu na noite de 30 de maio de 1834.

Considerando-se o conturbado Período Regencial (1831-1840) e as Revoltas Provinciais, em geral, e a Rusga, em particular, é correto afirmar que:

  • a crise gerada pela abdicação de D. Pedro | acirrou os ânimos entre os que defendiam o retorno do Imperador e os defensores da autonomia provincial, que se opunham, em alguns casos, aos privilégios dos portugueses, em especial os que controlavam o comércio, o que ajuda a entender uma das causas para a eclosão da Rusga Cuiabense
  • assim como ocorreu nas Revoltas “Nativistas” coloniais no início do século XVIII (Vila Rica e Mascates), a Rusga Cuiabense também assumiu um caráter antilusitano, agravado pela centralização política exercida pelo governo central localizado no Rio de Janeiro que, no entanto, não temeu pela desintegração do território brasileiro
  • o conjunto das Revoltas Regenciais, incluindo a Rusga, além de ter sido motivado pela política centralista imperial, sob os governos dosregentes, propunha a defesa das independências das províncias, o que ameaçava o projeto unitarista e centralizador, defendido pelas elites agrárias e escravocratas do Sudeste
  • a unidade política entre liberais e conservadores durante todo o Período Regencial refletiu-se nas Revoltas provinciais brasileiras, levando as elites locais e regionais a reivindicarem maior autonomia política e administrativa, reivindicação que, no caso do Mato Grosso, esteve presente na Revolta conhecida como Rusga
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