Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício
cochilava, e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti
que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não
é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando
melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa
flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la.
Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua
vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o
médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a
docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O
porteiro estava atento e repreendeu-me.
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
“Quantas novidades há numa flor”
Com relação à concordância do verbo haver, empregado no
segmento acima, indique a única opção que está em
conformidade com a gramática normativa.
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