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#2567103

Sobre Psicofarmacoterapia básica e Medicalização. Em relação à Medicalização, questão colocada nos embates entre uma Psiquiatria de Base Bio-Médica e Farmacológica e uma Psiquiatria de Orientação Sócio Política, solicita-se que, lido o texto abaixo, seja assinalada a única alternativa CORRETA: MEDICALIZAÇÃO[1]  Medicalização é o processo pelo qual o modo de vida dos homens é apropriado pela medicina e que interfere na construção de conceitos, regras de higiene, normas de moral e costumes prescritos – sexuais, alimentares, de habitação – e de comportamentos sociais. Este processo está intimamente articulado à ideia de que não se pode separar o saber - produzido cientificamente em uma estrutura social - de suas propostas de intervenção na sociedade, de suas proposições políticas implícitas. Amedicalização tem, como objetivo, a intervenção política no corpo social. Outro uso frequente do termo é “medicalização do social”, expressão que possui um campo semântico amplo, podendo se referir a uma série diferenciada de fenômenos, o que impõe especificarmos alguns aspectos que podem ser a ele associados. Essa expressão pode ser entendida como a forma pela qual a evolução tecnológica vem modificando a prática da medicina, por meio de inovações dos métodos de diagnóstico e terapêutico, da indústria farmacêutica e de equipamentos médicos; por outro lado, pode ser usado numa referência às consequências que acarreta para o jogo de interesses envolvidos na produção do ato médico. Embora estes e outros sejam fatores reais que propiciam a reprodução do processo de medicalização, não é diretamente deste conjunto de fenômenos que iremos tratar. O fenômeno da medicalização social surge e se desenvolve, historicamente, no contexto das sociedades disciplinares, tal como foi analisado por Foucault, em vários de seus estudos. Esse fenômeno promoveu a ampliação do campo de função da medicina, estendo-o ao plano político. Razão médica e ciência moderna são focos dos estudos de Madel Luz, que continuam se ampliando no Instituto de Medicina Social da UERJ, no grupo de pesquisa sobre Racionalidades Médicas, produzindo matriz teórica para muitos trabalhos já publicados e outros em andamento, dentre eles teses e dissertações. Cf. LUZ, Madel Therezinha. Natural, racional, social: razão médica e racionalidade científica moderna. Rio de Janeiro, Campus, 1988; LUZ, Madel Terezinha. Racionalidades médicas: diagnose e terapêutica: médicos e pacientes no dia-a-dia institucional. (Relatório técnico final da segunda fase do projeto Racionalidades Médicas). Rio de Janeiro, Departamento de Planejamento e Administração em Saúde, Instituto de Medicina Social, UERJ, 1997. Cf. também, a série de relatórios, seminários e trabalhos produzidos para o Projeto Racionalidades Médicas, arquivados na biblioteca do IMS/UERJ. (Fonte: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_medicalizacao.htm)

  • À Psiquiatria não interessam questões políticas relativas à sua prática, dado que, à medicina apenas interessam o diagnóstico, o prognóstico e a aplicação correta de terapêuticas aos transtornos mentais.
  • A medicalização não é questão relevante às discussões sobre as aplicações sociais e políticas da Psiquiatria.
  • A medicalização da sociedade e da vida dá-se exclusivamente por via farmacológica.
  • Enquanto “medicar” é ato médico, “medicalização” é conceito político social, mediante o qual, para Foucault, dentre outras medidas, disciplina-se uma sociedade.
  • Não cabendo, no exercício da Psiquiatria, questões de ordem social, política, econômica ou cultural, discutir a medicalização, enquanto fenômeno social, é questão desprovida de importância.
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