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#2919047
Texto da Questão:

Catar Feijão


Catar feijão se limita com escrever:

joga-se os grãos na água do alguidar

e as palavras na folha de papel;

e depois, joga-se fora o que boiar.

Certo, toda palavra boiará no papel,

água congelada, por chumbo seu verbo:

pois para catar esse feijão, soprar nele,

e jogar fora o leve e oco, palha e eco.


Ora, nesse catar feijão entra um risco:

o de que entre os grãos pesados entre

um grão qualquer, pedra ou indigesto,

um grão imastigável, de quebrar dente.

Certo não, quando ao catar palavras:

a pedra dá à frase seu grão mais vivo:

obstrui a leitura fluviante, flutual,

açula a atenção, isca-a como o risco.


(João Cabral de Melo Neto).


Sobre o poema acima, é CORRETO se afirmar que:

  • A comparação do fazer poético com o ato de catar feijão leva-nos ao entendimento da meta poesia, isto é, o poema, enquanto linguagem, falando do próprio ato de se fazer, característica da função meramente mecânica e referencial da linguagem.
  • Ac omparação do fazer poético com o ato de catar feijão leva-nos ao entendimento da meta poesia, isto é, o poema, enquanto linguagem, falando do próprio ato de se fazer, característica da função apelativa da linguagem.
  • A comparação do fazer poético com o ato de catar feijão leva-nos ao entendimento da meta poesia, isto é, o poema, enquanto linguagem, falando do próprio ato de se fazer, característica da função metalinguística da linguagem.
  • A comparação do fazer poético com o ato de catar feijão leva-nos ao entendimento da meta poesia, isto é, o poema, enquanto linguagem, falando do próprio ato de se fazer, característica da função fática da linguagem.
  • Não se registra, no poema em análise, nenhuma função da linguagem.
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